Dia do Cordelista

Parabenizando a todos os poetas populares, nossas cordelistas elvirianas estiveram mostrando suas produções nas comemorações. Festividade ocorrida na Biblioteca Ler é Preciso Prof. Maurílio Campos Matos.

A data coincide com o aniversário de 150 anos de nascimento do grande precursor do folheto de cordel, Leandro Gomes de Barros. O sempre festivo Gonzaga de Garanhuns comandou o momento de socialização de cultura.

A Escola Elvira Viana esteve muito bem representada pelas alunas-cordelistas Clara, Edilane e Crislayne que apresentaram o “Cordel Abortado”.

Parabéns! Vocês arrasaram!

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Cordel abortado

IMG_20151111_103136938[1]Autoras do 2º ano B: Clara Gisele, Paolla Ludmylla, Clébia Milene, Crislayne Santos, Edilane da Silva

Disciplina de Língua Portuguesa, 4º bimestre de 2015, FELICO – Festival de Literatura e cordel da Escola Elvira Viana.

 

Cordel abortado – Refletindo sobre o aborto

 

Falarei meu argumento

E quero sua atenção,

Pra fazer uma coisa dessa

Bom sujeito não é não

Lhe contarei uma coisa

Que aconteceu no meu Sertão.

 

Lá vivia uma moça

Bem jeitosa e arrumada,

E pelas outras mulheres

Sempre foi invejada

Por conta daquela beleza

Que a ela lhe foi dada.

 

Sua segunda casa era festas,

Ninguém podia julgar

Pois a menina era livre

Não tinha ninguém pra amar

E quando ficava…

Ah! Só era para desencalhar.

 

Vivia arrumando briga

Por causa de homem casado,

Esses homens tem mulher

Mas são tudo uns safados

Não arruma uma mulher certa

Para poder ser amado.

 

Em uma dessas festas

Se encantou com um rapaz

Moço rico e bonito

E logo correu atrás

Jurou conquista-lo

Com tudo que for capaz.

 

Pra ela não dava a mínima

Na verdade ele nem queria

Mas ela vivia insistindo

Lhe dando ousadia

Ele falou pro amigos

“Eu vou traçar essa vadia”.

 

 

Com o passar do tempo

Os dois criaram intimidade

Porém o namoro era proibido

Por causa da sua idade

Mas ela falava ao rapaz:

“Eu tenho liberdade.”

 

Seus pais sempre diziam

Filha esse cara não presta

Com sua calça apertada

E seu cabelo na testa

Arrume um rapaz de família

E não um que viva em festa.

 

Como toda adolescente

Quando fica apaixonada

Fica cega, surda e muda

E não quer saber de nada

Não dava a mínima

Pros conselhos que lhe dava.

 

O resultado do namoro

Foi que ela engravidou

O pai dela ao saber

Quase que enfartou

O rapaz foi embora

Do nada se retirou.

 

Ela se derramou em lágrimas

Sem saber o que fazer

Logo tomou a decisão

Esse filho eu não vou ter

Já está tudo decidido

Nada vai me convencer.

 

Antes da barriga aparecer,

E a vizinhança falar

Ela foi à farmácia

E comprou a pílula de abortar,

Tomou e fez efeito.

Logo começou a sangrar.

 

 

Pensavam que era normal

E não coisa programada

Foi logo ao hospital

Pois o sangue não parava

A dor era tão grande

Ela gemia e gritava

 

Aí vem de lá de dentro

Uma mulher desesperada

Vestido toda de branco

Em uma cadeira empurrada

Falava: “Venha cá moça”

“Você vai ser bem tratada.”

 

Entrou lá naquele quarto

Gemia e até gritava

Falava moça de branco

-Me acuda que tô ferrada

Morrendo de dor no bucho

Parece o fim da picada

 

 

Vindo de lá de dentro

Apareceu o doutor

Com a cabeça abaixada

Vendo a paciente com dor

E ela logo gritou:

“Me ajude , tô maltratada!”

 

Moça, você me perdoe

Pois o que você fez

Não pode se repetir

Em uma segunda vez

Infelizmente tem a lei

Pra você se redimir.

 

Menina tu era novinha

E também uma gracinha

Podia pelo seu filho

Ser chamada de rainha

Mas por falta de caráter

Matou aquela vidinha.

 

 

Bateu um arrependimento

Na hora que ele falou

Mas agora já era tarde

Aquela vida ela jogou

Jogou fora sem perdão

E ninguém a perdoou.

 

Atenção, caro leitor

Agora vou te falar

Cuidado com o que faz

Para não se machucar

Antes de fazer algo

Pare um pouco pra pensar.

 

 

Folhetos de cordel e poesia

Folhetos de poesia e de cordel produzidos pelos alunos do 2ºA e 2ºB
Folhetos de poesia e de cordel produzidos pelos alunos do 2ºA e 2ºB

Nossos grandes poetas do Elvira estão de parabéns!

Continuando as atividades do FELICO (Festival de Literatura e Cordel) durante o ano.

Excelentes folhetos foram produzidos na disciplina de Língua Portuguesa pelas turmas A e B (2º ano, Ensino Médio, turno matutino) durante este mês de novembro de 2015.

Aos poucos vamos postando aqui no Blog os trabalhos…. Para ficarem com gostinho de quero mais, segue estrofe de um folheto de poesia de grupo do 2ºB:

“Não te acho demais,

Porque tudo que é demais, sobra,

E tudo que sobra é resto.

Pois eu te acho de menos,

Porque tudo que é de menos,

Falta, e tudo que falta, é recheio.”